Revelações em Série: O Contrato Milionário, o Salto Patrimonial e as Controvérsias que Cercam o Ministro Alexandre de Moraes
Em um período de intensa e concentrada cobertura, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, tornaram-se o foco de uma série de reportagens investigativas publicadas pelo jornal O Globo.
JUSTIÇA
Phoenix Tpnews
12/22/20254 min read


Em um período de intensa e concentrada cobertura, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, tornaram-se o foco de uma série de reportagens investigativas publicadas pelo jornal O Globo. As matérias, assinadas pelos colunistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, trouxeram à tona alegações que vão desde um contrato de valores expressivos com um banco investigado até um crescimento patrimonial notável e a suposta interferência em projetos de lei no Congresso Nacional. O conjunto de revelações gerou um intenso debate público sobre a transparência nas relações entre o Judiciário e o setor privado, e sobre a conduta de uma das figuras mais proeminentes da Justiça brasileira.
O Contrato de R$ 129 Milhões com o Banco Master
A primeira das "bombas" jornalísticas, conforme o termo utilizado pelo próprio usuário, foi publicada por Malu Gaspar em 9 de dezembro de 2025, detalhando um contrato de valor milionário entre o escritório de advocacia da esposa e dos filhos do ministro e o Banco Master .
O documento, que teria sido encontrado em formato digital no celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, previa o pagamento de R$ 129 milhões ao escritório Barci de Moraes ao longo de 36 meses . O valor seria distribuído em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões.
O escopo do contrato, segundo a reportagem, era bastante amplo, não se limitando a uma única causa ou processo, mas sim à representação do Master "onde for necessário" . Embora o contrato não tenha sido cumprido integralmente devido à liquidação do banco, as mensagens trocadas por Vorcaro indicavam que os desembolsos para o escritório de Viviane Barci de Moraes eram uma prioridade inegociável para a instituição financeira .
O escritório Barci de Moraes, que conta com a atuação de Viviane e dos filhos do ministro, Alexandre Barci de Moraes e Giuliana, chegou a atuar em uma queixa-crime movida por Vorcaro e o Banco Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital . A reportagem de Malu Gaspar destacou que o alto valor e a natureza ampla do contrato levantaram questionamentos no meio jurídico e político, especialmente considerando o histórico de investigações envolvendo o Banco Master.
O Salto Patrimonial de 232%
Poucos dias após a revelação do contrato, Lauro Jardim, também em O Globo, trouxe à luz um dado financeiro que intensificou o debate: o crescimento exponencial do patrimônio pessoal de Viviane Barci de Moraes .
De acordo com a coluna, o patrimônio da advogada saltou de R$ 24 milhões em 2023 para R$ 79,7 milhões em 2024, um aumento de 232% em apenas um ano . O crescimento expressivo foi atribuído, principalmente, à distribuição de lucros do escritório Barci de Moraes, totalizando cerca de R$ 57 milhões .
A coincidência temporal entre o contrato milionário com o Banco Master e o aumento vertiginoso do patrimônio pessoal da esposa do ministro estabeleceu uma ligação direta e de forte impacto na opinião pública.
Detalhe Financeiro
Valor (R$)
Fonte
Valor Total Contrato (3 anos)
129.000.000
Malu Gaspar (O Globo)
Pagamento Mensal Contrato
3.600.000
Malu Gaspar (O Globo)
Patrimônio Pessoal (2023)
24.000.000
Lauro Jardim (O Globo)
Patrimônio Pessoal (2024)
79.700.000
Lauro Jardim (O Globo)
Aumento Percentual
232%
Lauro Jardim (O Globo)
Lucros Distribuídos (Estimado)
57.000.000
Lauro Jardim (O Globo)
O Novo Escritório e a Coincidência com a Lei Magnitsky
Outro ponto levantado por Lauro Jardim em 21 de dezembro de 2025 foi a inauguração de um novo escritório de advocacia em Brasília por Viviane Barci, o Barci e Barci .
O fato que chamou a atenção foi a data do registro do novo empreendimento: 22 de setembro. Segundo a reportagem, essa data coincidiu com o dia em que foi ampliada a chamada Lei Magnitsky . A Lei Magnitsky, de origem norte-americana, permite a aplicação de sanções internacionais, como o congelamento de bens e a proibição de entrada em países, contra indivíduos envolvidos em violações de direitos humanos e corrupção.
Embora a reportagem não estabeleça uma conexão direta de causa e efeito, a coincidência do timing do registro do novo escritório em Brasília, capital política do país, com a ampliação de um instrumento de sanção internacional, foi destacada pela imprensa como um elemento a mais no conjunto de fatos controversos .
A Frente Política: Negociação do PL da Dosimetria
Em paralelo às questões financeiras e empresariais, Malu Gaspar publicou uma reportagem em 19 de dezembro de 2025 que abordava a suposta atuação política do Ministro Alexandre de Moraes no Congresso Nacional .
A matéria alegava que Moraes teria negociado diretamente com senadores o texto do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria . O PL em questão tratava da redução de penas e poderia beneficiar condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é alvo de processos no STF sob relatoria do próprio Moraes.
A reportagem indicou que o ministro teria sugerido ajustes no texto que permitiriam a redução do tempo de prisão para certos condenados . A atuação de um ministro do STF em negociações legislativas sobre um tema que afeta diretamente seus julgamentos foi vista por críticos como uma potencial quebra da separação de Poderes e, em alguns círculos, chegou a ser levantada a possibilidade de um "crime de responsabilidade" que poderia ensejar um processo de impeachment .
Repercussão e o Silêncio dos Envolvidos
A sequência de reportagens, concentrada em um curto espaço de tempo, gerou uma onda de especulações e análises sobre o que motivou a divulgação de tais informações por um veículo de grande alcance como O Globo. O próprio tom das reportagens, que detalhavam valores e cronologias de forma incisiva, surpreendeu observadores políticos.
Até o momento da publicação das reportagens, a postura dos envolvidos tem sido de silêncio. O escritório Barci de Moraes e o Banco Master não retornaram aos pedidos de manifestação da reportagem de Malu Gaspar . O Ministro Alexandre de Moraes, procurado por intermédio da assessoria de imprensa do STF, também não se manifestou publicamente sobre as alegações .
O conjunto de fatos – o contrato de R$ 129 milhões, o aumento patrimonial de 232%, a coincidência do novo escritório e a suposta negociação política – consolidou um cenário de controvérsia que exige esclarecimentos por parte das autoridades e dos envolvidos, mantendo o Ministro Alexandre de Moraes e sua família no centro do noticiário nacional.
