Oposição articula CPI para investigar atuação de Alexandre de Moraes no caso Banco Master

A oposição no Congresso Nacional, com apoio de parlamentares do Centrão, articula a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

DENÚNCIA

Phoenix Tpnews

12/24/20253 min read

A oposição no Congresso Nacional, com apoio de parlamentares do Centrão, articula a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no caso envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa ganhou força após a confirmação de encontros entre o ministro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o período de análise da proposta de compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB).

A informação foi revelada inicialmente pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e posteriormente confirmada por outros jornalistas que acompanham o tema em Brasília. Segundo as apurações, Alexandre de Moraes teria se reunido com Galípolo para tratar de questões relacionadas ao Banco Master, enquanto o Banco Central avaliava a operação e já lidava com indícios de fraudes que mais tarde levariam à liquidação da instituição.

Confirmação de encontros e reação política

De acordo com os relatos, houve encontros presenciais e contatos telefônicos entre o ministro e o presidente do Banco Central. A confirmação dessas reuniões ampliou o desgaste político do caso e levou setores da oposição a defenderem não apenas a instalação de uma CPI, mas também a discussão de um eventual pedido de impeachment do ministro.

Parlamentares avaliam que, embora contatos institucionais entre autoridades não sejam automaticamente ilegais, a gravidade das fraudes posteriormente comprovadas e a posição ocupada por Alexandre de Moraes no STF exigiriam explicações públicas mais detalhadas.

Contrato milionário da esposa do ministro

O episódio ganhou ainda mais repercussão após a revelação de um contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O contrato, com escopo amplo e valores elevados, previa a atuação do escritório junto a diversos órgãos federais, incluindo o Banco Central.

Até o momento, não há esclarecimentos públicos sobre a atuação efetiva do escritório nos temas relacionados ao Banco Master, nem manifestações oficiais do ministro sobre o contrato. O silêncio em torno desse ponto tem sido explorado por parlamentares da oposição como argumento central para justificar a necessidade de uma investigação legislativa.

Recesso e cálculo político

Apesar da gravidade das acusações e da mobilização inicial, o Congresso Nacional entrou em recesso, o que empurra qualquer avanço concreto da CPI para fevereiro. Líderes partidários avaliam que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade da oposição de manter o tema em evidência durante o recesso e de consolidar apoio suficiente entre parlamentares do Centrão, tradicionalmente mais cautelosos em confrontos diretos com o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores, aliados do governo e integrantes do Judiciário observam o movimento com atenção, mas evitam declarações públicas, tratando o tema como sensível e potencialmente explosivo para a relação entre os Poderes.

Um novo foco de tensão entre Congresso e STF

A articulação da CPI ocorre em um momento de relação já tensionada entre parte do Congresso e o Supremo. Para parlamentares favoráveis à investigação, o caso do Banco Master simbolizaria a necessidade de maior controle e transparência sobre a atuação de ministros da Corte. Já críticos da iniciativa veem o movimento como retaliação política e tentativa de intimidação do Judiciário.

Até o momento, Alexandre de Moraes, o Banco Central e representantes do Banco Master não se manifestaram oficialmente sobre a possibilidade de CPI ou sobre os encontros relatados.